Eficiência no uso de fertilizantes: a ampliação do conceito 4C com sinergismo biológico

28 Abril 2026
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    Na agricultura, há um conceito amplamente associado ao manejo dos nutrientes, conhecido como 4 C’s.  Esse conceito é uma base fundamental para o uso eficiente dos nutrientes e se apoia no uso da fonte certa, na dose certa, no local certo e no momento certo.  

    No entanto, a eficiência dos fertilizantes não depende apenas dessas decisões de manejo. A absorção dos nutrientes pelas plantas é influenciada por inúmeros fatores, como as características e propriedades do solo, as condições climáticas e os processos fisiológicos e metabólicos das plantas.  

    Embora esse modelo siga sendo fundamental, à medida que conhecimento sobre o sistema solo avança, torna-se claro que é necessário ampliar esse conceito. A incorporação de aspectos biológicos como parte estratégica da eficiência nutricional é chave para o “funcionamento” correto do ambiente solo-planta. É nesse contexto que surge o conceito 4C’s + B (Biológicos).  

    Nessa perspectiva, os biológicos têm papel central na eficiência da adubação, ao atuarem diretamente nos processos que regulam a dinâmica e o aproveitamento dos nutrientes. Essas interações ocorrem, principalmente, na rizosfera, onde raízes, micro-organismos e nutrientes interagem de forma contínua.  Ao incorporar esse componente biológico, a nova visão do 4C’s + B amplia o entendimento sobre eficiência nutricional e promove o melhor uso dos fertilizantes.  


    Desafios estruturais da adubação 
     

    O papel dos fertilizantes, independente da sua origem, é fornecer nutrientes para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Sem fertilizantes, não há produção que se sustente, especialmente em ambientes tropicais, caracterizados por solos com baixa fertilidade natural.  

    A agricultura brasileira é altamente dependente da aplicação de fertilizantes e da importação desses insumos, especialmente fertilizantes fosfatados e nitrogenados. Essa dependência expõe o setor produtivo à volatilidade cambial, a riscos logísticos e a instabilidades geopolíticas. Como consequência, há impacto direto no custo de produção, na previsibilidade da produção agrícola e na segurança alimentar das populações.  

    Diante desse cenário, torna-se estratégico avançar em soluções que promovam maior eficiência no uso de fertilizantes, integrando tecnologias em produtos minerais junto aos insumos biológicos. Essa evolução depende da integração do sistema solo–planta–microbioma como uma unidade funcional integrada, na qual os processos atuam de forma conjunta para sustentar a nutrição das plantas. 


    Quem são e qual o papel dos “B’s” na eficiência do uso de fertilizantes?
     

    Antes de responder a essa pergunta, é importante compreender que o “B” do conceito “4C’s + B” não se refere a um único produto ou a grupo taxonômico específico de micro-organismo. Trata-se, na verdade, do conjunto de processos e/ou agentes biológicos que regulam a transformação, a mobilização e o aproveitamento de nutrientes que foram aplicados no solo.  

    Outro ponto fundamental é que o fertilizante, por si só, mesmo quando aplicado corretamente, não garante eficiência total. Após a aplicação, os nutrientes passam a integrar um sistema vivo, aberto e dinâmico, no qual a presença dos micro-organismos exerce papel decisivo na transformação, mobilização e disponibilização desses elementos para as plantas. 

    A eficiência de uso de nutrientes como nitrogênio (N) e fósforo (P), por exemplo, está diretamente associada a presença de microrganismos no solo, mais precisamente na rizosfera, onde a atividade microbiana, a produção de enzimas e os exsudatos radiculares regulam a disponibilidade real dos nutrientes. 

    Mas, afinal, quem são os principais “B’s” desse conceito? 

    Micro-organismos: incluem bactérias, fungos, actinomicetos, entre outros que, associados ao sistema radicular das plantas, formam o chamado “ambiente rizosférico”. Esses micro-organismos atuam em processos como mineralização da matéria orgânica, mobilização e solubilização de nutrientes, que, de forma isolada, as plantas teriam dificuldade de acessar. Além disso, contribuem para a melhoria do acesso a água e para a mitigação de estresses abióticos. São verdadeiros operários bioquímicos que em troca recebem abrigo e alimentos das plantas.  

    Biologia da rizosfera: mais do que a simples presença de micro-organismos, esse componente refere-se à funcionalidade da rizosfera como um ambiente dinâmico, moldado pela interação entre raízes, exsudatos radiculares e solo (zona de até 5 mm desde a superfície da raiz). Essa interação permite a formação de zonas biologicamente ativas, onde nutrientes encontram condições favoráveis para serem transformados e/ou absorvidos de forma eficiente pelas plantas.  

    Biologia na estrutura física do solo: a atividade conjunta de raízes e micro-organismos contribui para a formação de agregados, bioporos e uma complexa rede de canais, que impactam na retenção, na movimentação da água e oxigênio, e na absorção dos nutrientes. Solos biologicamente ativos e estruturados apresentam melhor infiltração e retenção de água; criam um ambiente estável para a atuação microbiana e para o desenvolvimento do sistema radicular. Vale ressaltar que esses aspectos reduzem as perdas de nutrientes.  

     

    Como os micro-organismos atuam para melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes? 

    Os micro-organismos do solo contribuem para a melhoria da eficiência no uso de fertilizantes por meio de diversos mecanismos que atuam de forma integrada na dinâmica dos nutrientes, no desenvolvimento do sistema radicular e na estabilidade do sistema solo–planta. Esses mecanismos podem ser organizados nos seguintes grupos: 

    Fixação biológica de nitrogênio (FBN) 

    Alguns microorganismos, como os dos gêneros Bradyrhizobium e Azospirillum, quando associados às plantas, são capazes de converter o N atmosférico em formas assimiláveis. Na soja, a FBN é fundamental para o sistema produtivo, sendo responsável por suprir a demanda de N da cultura e reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados minerais. Além do efeito direto na soja, a FBN contribui para melhoria dos sistemas de sucessão de culturas, especialmente no milho segunda safra, por meio do aporte residual de N proveniente dos resíduos culturais e da matéria orgânica do solo. Isso amplia a eficiência do uso do N no sistema agrícola como um todo, favorecendo sistemas mais eficientes e sustentáveis. 


    Mobilização e solubilização de nutrientes
     

    Micro-organismos mobilizadores atuam no aumento do acesso à nutrientes já presentes no solo, especialmente o P Essa atuação ocorre por diferentes mecanismos, como a produção de enzimas fosfatases e a liberação de ácidos orgânicos. Além disso, esses micros‑organismos estimulam o crescimento e a ramificação do sistema radicular, ampliando a exploração do solo e favorecendo o contato das raízes com regiões ricas em nutrientes. Como resultado, há um melhor aproveitamento do P aplicado via fertilizantes e do legado de P (P acumulado) do solo, melhorando a eficiência do sistema. 


    Produção de compostos orgânicos e estímulo ao crescimento radicular
     

    A produção de fitohormônios, como o ácido indolacético, as citocininas e as giberelinas, por micro-organismos do solo estimula o crescimento do sistema radicular. Esse efeito amplia a zona de absorção da planta, favorece a exploração do solo e intensifica a atividade da rizosfera. Além disso, alguns micro-organismos produzem compostos denominados exopolissacarídeos, responsáveis pela formação de  “biofilmes” na rizosfera e na superfície das raízes. Esses compostos auxiliam na manutenção da integridade do sistema radicular, reduzem a desidratação, protegem contra patógenos e promovem maior estabilidade fisiológica das raízes.  


    Melhoria da estrutura física do solo 

    A atividade microbiana contribui para a formação de bioporos e agregados do solo, melhorando a estrutura física do perfil. Esse processo favorece a retenção e a disponibilidade de água, melhora a oxigenação e a criação de microambientes estáveis para raízes e micro-organismos, resultando em melhor funcionamento do sistema radicular e maior aproveitamento dos fertilizantes aplicados. 

     

    Onde entram ACTIBIO EVO53 e ACTIBIO PHOS nesse cenário de eficiência? 

    À medida que produtividade aumenta, torna-se necessário elevar a eficiência  no uso de insumos agrícolas, visando maior retorno econômico. Nesse contexto, tecnologias que ampliam os processos biológicos assumem papel fundamental, pois contribuem para a redução de perdas e para o melhor aproveitamento dos nutrientes já presentes no sistema. 


    Integração de ACTIBIO EVO53 e ACTIBIO PHOS
     

    As tecnologias ACTIBIO EVO53 e ACTIBIO PHOS têm papel estratégico ao atuarem na eficiência do sistema solo-planta.  

    Como essas tecnologias atuam dentro desse conceito? 

    • as tecnologias contribuem para a melhoria do acesso aos nutrientes aplicados, por meio do aumento da área de solo explorada pelas raízes e da atuação de processos biológicos específicos, além de contribuírem para a eficiência no uso de água no sistema. 
    • as tecnologias aumentam o aproveitamento de compostos orgânicos presentes na rizosfera, e melhoram a interação entre raízes e micro-organismos. 
    • ao fortalecer o sistema radicular e a atividade biológica, as tecnologias aumentam a capacidade da planta de aproveitar os nutrientes no momento da aplicação, além de gerar efeitos benéficos de médio e longo prazo sobre a qualidade do solo. 
    • o componente biológico integra e potencializa todos os 4C’s, regulando os processos do solo e contribuindo para a maior eficiência, rentabilidade e sustentabilidade dos sistemas agrícolas.  

    As tecnologias como ACTIBIO EVO53 e ACTIBIO PHOS possuem papéis complementares bem definidos, como por exemplo:  

    ACTIBIO PHOS  

    A tecnologia ACTIBIO PHOS atua por diversas vias na eficiência de uso do P, favorecendo o acesso ao P-orgânico, por meio da ação de enzimas fosfatases, mobilizando o P associado ao reservatório lábil, por meio da liberação de ácidos orgânicos. Além disso, a tecnologia aumenta o crescimento radicular, via produção de fitohormônios, ampliando o volume de solo explorado pelas raízes. Esses mecanismos aumentam a disponibilidade e o aproveitamento dos nutrientes na rizosfera e no solo.  

    ACTIBIO EVO53  

    Ao favorecer o desenvolvimento radicular, o EVO53 intensifica a atividade microbiana da rizosfera, criando um ambiente mais funcional para que os nutrientes aplicados sejam efetivamente aproveitados 

    Na soja, a tecnologia se destaca na coinoculação, promovendo aumento do sistema radicular, da nodulação e da eficiência na aquisição de N. Em sistemas com gramíneas, o EVO53 gera benefícios aumentando a eficiência de uso do fertilizante aplicado.  

     

    O futuro dos fertilizantes em sinergia com os biológicos 

    O uso dos fertilizantes na agricultura exige, cada vez mais, uma otimização sistêmica, baseada na valorização de processos biogeoquímicos, na funcionalidade do solo e na integração entre fertilizantes minerais e biologia. Essa abordagem reconhece o solo como um sistema vivo e dinâmico. 

    Nesse contexto, a integração de insumos biológicos promove maior eficiência no uso dos fertilizantes, maior resiliência produtiva e menor dependência de fatores externos, como oscilações de mercado. Assim, o futuro da adubação agrícola se constrói a partir da lógica da integração, da eficiência e da funcionalidade do sistema solo–planta. 

    Algumas referências utilizadas 

    BLAGODATSKAYA, E. et al. Bridging microbial functional traits with localized process rates at soil interfaces. Frontiers in Microbiology, v. 12, 2021. 

    FUKAMI, J. et al. Azospirillumbenefits that go far beyond biological nitrogen fixation. AMB Express, v. 8, art. 73, 2018.  

    MAAZ, T. M. et al. Review of research and innovation on novel fertilizers for crop nutrition. npj Sustainable Agriculture, v. 3, art. 25, 2025.  

    PANEK, J. et al. Plant–soil–microbiome interactions: mechanisms, advances, and challenges in sustainable agriculture and healthy agroecosystems. Frontiers in Microbiology, v. 17, 2026. 

    PAVINATO, P.S. et al. Revealing soil legacy phosphorus to promote sustainable agriculture in Brazil. Scientific Reports, 10, 2020. 

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