A importância do Níquel na nutrição vegetal

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    O níquel (Ni) é um micronutriente encontrado nas plantas em quantidades mínimas. As plantas absorvem Ni na forma de cátion divalente Ni²⁺. Ele é necessário em quantidades muito pequenas, com o nível crítico sendo cerca de 1 parte por milhão. Embora seu papel no crescimento e desenvolvimento das plantas tenha sido frequentemente negligenciado — já que anteriormente era classificado como um elemento metálico tóxico —, foi confirmado que ele exerce impacto positivo em diversos processos dentro da planta.

    O níquel foi o último nutriente adicionado à lista de nutrientes essenciais para as plantas. Essa inclusão ocorreu no final do século XX. O reconhecimento do níquel como nutriente essencial baseou-se em pesquisas realizadas no final da década de 1980 por Brown e colegas, que determinaram que o níquel é necessário para as plantas. A American Association of Plant Food Control Officials reconheceu oficialmente o níquel como nutriente essencial em 2004.

    Função do níquel na fisiologia vegetal

    O níquel é um componente essencial de várias enzimas vegetais, principalmente da urease, responsável por hidrolisar a ureia em amônia e dióxido de carbono. Esse processo é crucial para o metabolismo do nitrogênio nas plantas. Sem níquel, níveis tóxicos de ureia podem se acumular nos tecidos vegetais, causando lesões necróticas nas pontas das folhas.

    O níquel também desempenha um papel na fixação de nitrogênio, processo pelo qual certas bactérias convertem o nitrogênio atmosférico em uma forma que as plantas podem utilizar. Isso é particularmente importante para culturas leguminosas, que dependem fortemente da fixação de nitrogênio para seu crescimento.

    Além disso, o níquel parece estar envolvido em processos enzimáticos relacionados à síntese de aminoácidos, metabolismo de proteínas e produção de metabólitos secundários.

    Deficiência e excesso de níquel nas plantas

    A deficiência de níquel é muito rara, pois o elemento geralmente está presente em quantidades suficientes como contaminante no solo e na água. Não foram observadas deficiências de níquel em condições normais de cultivo, mas em pesquisas agrícolas, os cientistas conseguiram reproduzir sintomas de deficiência. Deficiências leves podem não apresentar sintomas visíveis e podem ser diagnosticadas incorretamente, embora possam reduzir o crescimento e a produtividade. O níquel é relativamente móvel nas plantas; portanto, deficiências severas se manifestam primeiro como clorose nas folhas mais velhas, pontas necróticas e crescimento inibido. Em leguminosas, os sintomas incluem clorose generalizada e pontas necróticas devido ao acúmulo tóxico de ureia.

    A deficiência de níquel já foi observada em algumas plantas de viveiro e culturas arbóreas. Em plantas lenhosas, pode causar entrenós curtos, crescimento fraco dos brotos, morte das gemas terminais e, eventualmente, morte de ramos e galhos.

    As concentrações de níquel atingem níveis fitotóxicos entre 10 e 100 mg por kg de peso seco. Seu excesso limita o crescimento das plantas e inibe a fotossíntese e a transpiração. Em leguminosas, foi observada redução na intensidade da fixação de nitrogênio. A toxicidade do níquel está mais relacionada à proporção Ni:Fe nas plantas do que à sua concentração absoluta.

    Importância do níquel na agricultura

    O papel do níquel na agricultura vai além da saúde das plantas. Como participa do metabolismo do nitrogênio, ele melhora diretamente a eficiência do uso de nitrogênio, podendo reduzir a necessidade de aplicação excessiva de fertilizantes. Isso é particularmente importante na agricultura moderna, que busca minimizar impactos ambientais e maximizar a produtividade.

    Alguns estudos também sugerem um efeito positivo do níquel na tolerância das plantas a estresses abióticos, por meio do suporte à atividade de enzimas antioxidantes. Isso torna o controle do níquel especialmente relevante em regiões sujeitas a condições climáticas extremas.

    Manejo dos níveis de Níquel

    Garantir níveis adequados de níquel no solo é essencial para o crescimento ideal das plantas. O níquel geralmente está presente em quantidades suficientes como contaminante no solo, na água e nos fertilizantes. No entanto, sua disponibilidade pode ser afetada pelo pH do solo e pela presença de outros metais, como zinco, cobre, ferro, cobalto, cádmio e magnésio. Altos níveis desses metais podem induzir deficiência de níquel, tornando necessário monitorar e manejar a composição do solo.

    Aplicações foliares de níquel podem ser uma forma eficaz de corrigir deficiências. Estudos mostram que aplicações foliares de níquel melhoram o estado nutricional mineral, a atividade da urease e a qualidade fisiológica da soja. Esse método garante que as plantas recebam os níveis necessários de níquel diretamente, evitando problemas relacionados ao solo. Sais de níquel (como sulfatos e nitratos) e ligantes orgânicos de níquel (como lignossulfonatos e heptogluconatos) são eficazes como fertilizantes foliares. A forma Ni-lignossulfonato é preferida para aplicações em campo devido a preocupações de segurança para os trabalhadores com outras fontes foliares.

    Conclusão

    Embora necessário em pequenas quantidades, o níquel impacta significativamente a saúde das plantas e as práticas agrícolas. Ele é importante para o metabolismo do nitrogênio, fixação de nitrogênio e diversos processos enzimáticos. Embora a deficiência de níquel seja rara, ela pode afetar negativamente a saúde e o crescimento das plantas. Por outro lado, níveis excessivos são fitotóxicos e podem inibir o crescimento. Portanto, compreender e manejar adequadamente os níveis de níquel no solo, na água e nos fertilizantes é essencial para garantir culturas saudáveis, alta produtividade e contribuir para um sistema agrícola mais sustentável.